Vida presente e Planos para o futuro

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Após o transplante, a vida não simplesmente “volta ao normal”, pois ela ganha novos limites e possibilidades. É comum que os pacientes apresentem alterações em suas vidas e em seus planos. A rotina, por sua vez, passa a ser marcada por cuidados contínuos, uso de medicações e acompanhamento médico rigoroso. Apesar das incertezas, o transplante reacende esperanças: planos que antes pareciam distantes ou impossíveis, como estudar, trabalhar, viajar, formar uma família, voltam a ser sonhados.

 

Andressa, por sua vez, expressa tanto desejos quanto temores em relação ao futuro. Sonha em ser mãe, mas teme as complicações de uma gravidez após o transplante. Ao mesmo tempo em que desistiu do sonho da faculdade, ainda mantém planos de realizar cursos profissionalizantes para alcançar certa autonomia, ainda que enfrente dificuldades para se inserir no mercado de trabalho.

Andressa: Eu sempre quis ter um filho, mas depois dos transplantes, depois do que eu passei eu tenho medo. O que eu passei foi muito difícil, um processo muito doloroso, então assim eu não sei como vai ser, né. Teve uma amiga minha que fez transplante de fígado, ela engravidou, foi super bem, a dela foi bem, e a minha? Eu não sei. [...] Sim. É o medo de, Deus o livre, eu engravido, pode acontecer alguma coisa ou com meu rim ou com meu coração. O senhor tá entendendo? Aí vou deixar uma criança no mundo vivendo ao Deus dará, dependendo de sorte, na mão das pessoas, o senhor tá entendendo? [...] Eu tinha o sonho de fazer minha faculdade, né? Mas eu desisti. Eu tenho planos de fazer curso. Eu queria fazer. [...] Eu pretendo fazer curso, me especializar em alguma coisa, trabalhar para mim, fazer uma coisa para mim, já que eu não consigo, né... Porque ninguém quer dar um trabalho à gente que é transplantado, tem imunidade baixa, por não poder estar com todo mundo.

 

Carlos, ainda jovem, compartilha relata que já pensou em ser policial ou bombeiro, mas descarta essas ideias ao considerar os riscos, principalmente em relação à sua condição de transplantado. Em certo momento, demonstra interesse pela psicologia, revelando um desejo de compreender ou ajudar os outros.

Carlos: De mim? Eu já pensei em ser policial, aí eu vi no jornal que um policial morreu de bala. Desisti. Bombeiro dá certo pra mim não, porque fica na fumaça.

[Entrevistador: Na fumaça.]

Carlos: Eu já pensei em ser psicólogo.

 

Donizete apresenta planos bem definidos. Aos 61 anos, deseja concluir sua graduação em Direito e realizar uma especialização na área criminal, com ênfase no Tribunal do Júri. Também pretende prestar a OAB e alcançar estabilidade para sua esposa e filhos, demonstrando determinação e responsabilidade familiar.

Donizete: Minha prioridade hoje, realmente, com 61 anos, eu sei que a idade está chegando. E o meu plano principal é eu terminar a faculdade.

[Entrevistador: De Direito?]

Donizete: De Direito. Me especializar na área criminal com ênfase no júri. Plenário eu já tenho, estou terminando realmente, to no último ano. E conseguir manter estabilidade pros meus filhos e minha esposa, que ainda não consegui dar estabilidade. [...]

Donizete: E eu sei que, não é que eu seja melhor que ninguém, também estou me preparando, continuo me preparando para fazer a OAB e vamos ver. O coração já não me preocupa mais. A preocupação é o rim e se vou fazer ou não o transplante, isso ainda tenho dúvida.

 

Rafael, ainda jovem, manifesta entusiasmo com a ideia de trabalhar na área da saúde. Inspirado por familiares e por sua vivência hospitalar, apaixonou-se pela medicina e alimenta o desejo de seguir esse caminho profissional.

Rafael: Eu penso muito em entrar no ramo da saúde. Minha mãe e minha avó são técnicas e eu, o tempo que eu passei aqui, eu me apaixonei pela medicina. Muito, de verdade. Eu fiquei curioso, com muita vontade.

 

Felipe Valério sonha em abrir uma clínica de psicanálise junto à esposa, que também atua na área da saúde mental. A parceria profissional reflete o desejo de construir um futuro compartilhado, ajudando outras pessoas e colocando em prática os conhecimentos adquiridos.

Felipe Valério: E aí o que eu tenho para o futuro é abrir, assim que eu me formar em psicanálise, abrir uma clínica junto com ela (esposa). E a gente vai fazer atendimento, ela na área todinha, a área dela que a gente desenvolveu, né? Ela está terminando a última, ela terminou agora, que foi a saúde mental. Mas ela já foi o transtorno global, já fez muita coisa, já neuro foi. Foi além. Então a gente, esse agora é o que eu quero fazer. Isso agora é o que eu quero fazer com ela. Montar lá a clínica, a gente ajudar as pessoas, se ajudarem.

 

Duarte vive o presente com entusiasmo e projetos sociais. Sente-se renovado após o transplante e deseja continuar suas atividades como palhaço Pipoquinha em escolas, plantar árvores em sua cidade e manter seu trabalho comunitário. Demonstra alegria e esperança em seu recomeço.

[Entrevistador: E como é que o senhor avalia a sua vida hoje? Está satisfeito com a vida?]

Duarte: Estou muito satisfeito. Toda a vida eu fui. E agora? Estou mais ainda. Que agora renovei, né? Tem uma esperança, uma expectativa de vida, né? Tem muitos projetos ainda.

[Entrevistador: Quer falar um pouquinho desses projetos.]

Duarte: Posso falar. Agora, eu não trouxe meu celular, tá lá no meu celular. Mas eu vou falar, né? Eu tenho um trabalho social. Eh! Eu sou o palhaço Pipoquinha nas escolas, nas creches, eu tenho isso, né? Tem espaço pipoquinha, no final do ano às vezes eu saio de Papai Noel. Eu gosto de plantar também lá na cidade que eu moro, eu planto mudas de pé de manga, pé de caju. Eu gosto disso. Lá tem pé de caju, pé de manga, tudo botando do que eu plantei na rua, sabe? Eu gosto disso. Aí quando chegar lá eu vou dar continuidade... Continuidade a esses projetos aí, meus aí, se Deus quiser, eu quero ficar bom para isso.

 

Edmar prioriza a saúde no presente e reconhece as limitações deixadas por um AVC. Não projeta planos concretos além do cuidado com o corpo e a reeducação alimentar. O foco está em preservar o que já foi conquistado.

Edmar: Doutor, sendo sincero pro senhor, a melhor coisa era esse AVC saísse, que eu não consigo nem escrever bem, nada com a mão, não consigo nada. Assim, nem falar bem, nem falar, nem andar, nem escrever, que era o que eu fazia era com a mão. [...] O futuro eu não penso em outra coisa que não, assim, primeiramente, cuidar do coração é o principal meu, meu objetivo é cuidar bem dele, me cuidando, o principal no momento. Futuro não sei, por que daqui pra frente eu consigo trabalhar ou não, mas se faz novamente é cuidar bem, fechar bem a boca, não me alimentar de tudo aquilo que vê, porque antes era uma coisa, agora outra.

 

Para alguns, o trabalho aparece como algo muito importante no presente e nos planos para o futuro. Elindinaldo deseja retomar uma rotina de trabalho estável. Seu plano principal é conseguir um emprego com carteira assinada, o que, para ele, representa dignidade, segurança e retorno à normalidade.

Elindinaldo: Bom, eu penso num trabalho fixo. Assinar a carteira, assinar a carteira. Ter minha vida normal, como eu vivia antes, de trabalho. Ter meus compromissos, de voltar meus compromissos. De conseguir fazer uma compra, sair… Ter um negócio certo pra mim. Um trabalho de carteira assinada, né, que tranquiliza muito a pessoa.

 

Já José Joaquim demonstra uma postura de aceitação diante da vida. Não alimenta grandes planos, mas valoriza a possibilidade de ainda poder trabalhar um pouco. Acredita que o caminho é seguir em frente, pedindo a Deus força, coragem e saúde. Caso o trabalho não seja mais possível, encara isso com serenidade.

José Joaquim: Tô satisfeito. Fazer o que, né? Não posso fazer mais nada. É seguir a vida. Pedir a Deus força, coragem e saúde. É, se der pra trabalhar, nós vamos trabalhar, né? E se não der pra trabalhar, vamo ficar. Graças a Deus eu posso dar uma trabalhadinha ainda.

 

Mirko demonstra satisfação com a vida atual, embora não projete outros planos além do desejo de trabalhar. Não expressa sonhos ou projetos adicionais, mas parece tranquilo com sua realidade.

[Entrevistador: Coisa boa. E além dessa questão do trabalho, o que é que você planeja para a vida?]

Mirko: Além da questão do trabalho. Não sei, assim, o bom mesmo seria trabalhar.

[Entrevistador: Tem algum outro projeto? Você tem alguma coisa que você queira fazer?]

Mirko: Acredito que no momento não.

[Entrevistador: Você está satisfeito com a vida?]

Mirko: To.

 

Gorete encara o futuro com serenidade e fé. Já não teme a morte e acredita que tudo acontece no tempo de Deus. Vive com os filhos um dia de cada vez, sem criar expectativas longas, mas com confiança na vida.

Gorete: Todo ano! Meus filhos: "Mãe e agora?" Dez anos pra frente tá bom. Esses dez nunca vai chegar. Mas até o dia que Deus quiser, né? Eu, eu, eu... Hoje eu não tenho mais paranoia de medo de morrer, não. É a hora que Deus quiser. Ele sabe a hora, né? Eu sou uma pessoa muito, de muita fé. Acho que o senhor já percebeu. Eu sou assim. Eu acho que tudo, se a gente não botar Deus na frente, nada acontece.

 

Jorge traz reflexões sobre os limites do coração transplantado, mas também afirma seu desejo de manter a vitalidade e o prazer de viver. Valoriza o corpo e a sexualidade, revelando que esses aspectos seguem sendo centrais em sua identidade.

Jorge: Eu não sei. Eu fico, às vezes, eu fico pensando quando é que esse coração vai parar? Porque ele tem um período, diz ele, tem um período. Mas quem sabe é Deus, como eu digo, né? [...] Começar logo por aí, né? Começar a, começar a viver uma vida mais saudável, porque viver é bom. Eu adoro fazer amor com mulher, adoro, e não quero perder isso nem tão cedo.

 

José Oliveira valoriza os pequenos prazeres do cotidiano, como jogar dominó e assistir ao futebol. Seu modo de viver o presente é simples, afetuoso e bem-humorado, demonstrando leveza após a experiência do transplante.

[Entrevistador: E como é que é sua vida hoje, assim, além de escrever esses poemas?]

José Oliveira: Ah.

[Entrevistador: O que é que o senhor faz assim? O que é que o senhor gosta de fazer?]

José Oliveira: Jogar um dominozinho, um dominó. Assistir o jogo, ver o Sport perder, muito bom, né.

 

José Delson olha para o futuro com um compromisso de autocuidado e convivência familiar. Deixou antigos hábitos como o consumo de álcool e deseja seguir com mais equilíbrio emocional, reconhecendo a importância de viver bem ao lado da esposa e da família.

José Delson: Por conta que, veja só, bebia muito, fumava não, mas eu, qualquer coisinha, chegava em casa com a cara cheia. Graças a Deus agora não bebo mais. E só vou cuidar, fazer por onde, passar esses tempos bem com a minha, com a minha família e com todos. E ser também, assim, um pouco também que não tenha muito nervoso, por conta que a mulher às vezes, aqui e acolá, sabe.

 

Marcos não projeta grandes mudanças ou planos futuros. Gosta de aproveitar os momentos presentes ao lado da esposa e das filhas, especialmente viajando e desfrutando de prazeres simples como um churrasco ou um banho de piscina.

[Entrevistador: E o que é que o senhor pensa para o futuro assim? Tem algum plano, alguma coisa que o senhor gostaria de fazer?

Marcos: Não. O que eu gosto de fazer assim é viajar, quando as meninas me chama para viajar para outros cantos, aí eu vou mais ela, minha esposa também. Tomar banho de piscina, comer um churrasquinho, somente.

 

Maria do Carmo expressa vitalidade e vontade de se manter ativa, apesar das limitações da hemodiálise. Deseja continuar trabalhando e sendo útil, principalmente cozinhando para a família, atividade que lhe traz prazer e sentido.

[Entrevistador: Então, pelo que eu estou entendendo, você está satisfeita com sua vida?]

Maria do Carmo: Tô, tô sim. O que eu não estou... Era para estar bem melhor, se não fosse essa hemodiálise. Tomo medicação? Tomo. Eu tomava muita, né? Mas agora foi diminuindo, diminuindo, diminuindo. Eu já cheguei a tomar, vixe Maria, uns 15 comprimidos por dia. Mas agora não, eu tomo por dia 6, 7, 8. Vê como diminuiu. É três de manhã, três, quatro de manhã, e quatro mais a noite.

[Entrevistador: E quando você olha para o futuro, assim, o que é que você pensa?]

Maria do Carmo: Agora, é uma coisa que eu penso muito, que eu não gosto de ficar parada. Eu quero fazer alguma coisa. Você querer trabalhar. Eu sempre gostei de trabalhar. Eu não sei como é que uma pessoa fica em cima de uma cama. Eu tô sendo sincera. Não dá para ficar na cama deitada, não. Eu gosto de atividade, de fazer alguma coisa, de movimentar. Aí eu vou para a cozinha. Eu gosto de cozinhar. Me mande fazer qualquer prato que eu faço, entendeu? Que eu gosto de cozinhar. Eu faço dobradinha, faço feijoada, faço macarronada, faço lasanha, saio fazendo dentro daquela minha cozinha. Mas não é eu só, não. Eu com minhas filhas, sabe?

 

Alguns, como Andrea, apresentam uma perspectiva mais resignada sobre o futuro. Após o transplante, ela não tem interesse em retomar estudos ou buscar um novo casamento. Seu foco atual está no cotidiano doméstico e na convivência com os netos, sem grandes expectativas de mudança.

Andrea: Eu não tenho muita expectativa de futuro, não, doutor. Porque assim, eu digo direto, eu posso até me casar de novo, mas que eu procure, não. Eu não quero procurar casamento pra minha vida. Em relação a estudo, eu não quero mais estudar. Acho que é somente viver o cotidiano de casa e curtir os netos agora, né?

 

Maria Josilene tem uma visão mais desencantada sobre o futuro. Aos 66 anos, sente que está no fim da vida e que já cumpriu seu papel criando os filhos. Fala com certa melancolia sobre a falta de forças e o cansaço físico, embora reconheça que está bem de saúde.

[Entrevistador: E quando a senhora olha para frente assim para o futuro, o que é que a senhora pensa?]

Maria Josilene: Ai, doutor, o que eu penso é que eu estou com 66 anos. Acho que não tem muito futuro não.

[Entrevistador: Sério?]

Maria Josilene: Sério. O que? É, eu já to no fim da vida já, né?

[Entrevistador: Não, tá nova ainda. Sessenta e seis.]

Maria Josilene: 60 anos a pessoa fica, eu só estou agora sentindo, uma canseira nas pernas, mas a não ser isso...

[Entrevistador: Mas me conte como é, como assim já tá no fim da vida?]

Maria Josilene: É porque, doutor, a gente veve, né? Veve, veve, cria os filhos. Casa teus filho. Depois já vem um neto, e a gente não tem mais, como a gente era novo, né? Não tem mais paciência, não tem mais força, né? Aí eu penso assim: 66 anos, não, tem mais o quê da vida? Só vê os problemas de saúde, né? Tá bem, tudo bem."

 

Mario Luiz encara a vida com leveza e bom humor. Seu plano é simples: passear e se divertir. Valoriza os momentos de descanso e convívio familiar, especialmente nos fins de semana, quando consegue desacelerar a rotina corrida.

Mario Luiz: Pra frente eu penso só em passear. Hoje só é passear e me divertir. Se você não se diverte hoje, amanhã você é divertido. Então pra mim é só passear. [...] Oxe, foi bom demais. Você não sabe como é bom a gente conversar, assim, dialogar um pouquinho. Eu quase não tenho tempo, corro muito, tipo assim minha mulher tem uma creche, aí fim de semana que eu descanso, aí vou pra granja, aí descanso um pouquinho

 

Pedro Assis vê o presente como um tempo de sobriedade e tranquilidade. Abriu mão de prazeres antigos como bebida, fumo e jogos, e agora deseja apenas viver de forma simples e sem estresse. Não projeta planos futuros além da própria sobrevivência e do que o governo proporciona.

Pedro Assis: Não, não saio para divertir não. Para mim acabou-se, a festa acabou porque a gente se sente uma brincadeira, uma festa quando é uma festa, quando você pode tomar um negocinho, né, pra ficar contente. E eu não bebo mais, para mim acabou-se. Eu não fumo, não bebo, eu não jogo, acabou. Quer dizer. Quero viver minha vida, viver minha vida numa boa. Jesus me deu outra vida, então não vou fazer extravagância pra amanhã ou depois eu voltar pra aqui, tá dando trabalho.

[Entrevistador: Mas passear? Jogar um dominó?]

Pedro Assis: Não, sobre isso aí, quando aparece a gente brinca, a gente brinca um dominozinho.

[Entrevistador: Encontrar os amigos, essas coisas.]

Pedro Assis: E não tenho estresse, não com a vida.

[...]

Pedro Assis: Meus planos é viver. Porque a gente quando chega a uma certa idade e a gente não tem mais futuro, a gente ganha aquilo que o governo dá a nós, pra nós sobreviver, o resto (?). Não tenho plano mais para nada não, exceto viver assim.

 

Reginaldo valoriza uma rotina tranquila e espiritualizada. Aprecia os pequenos rituais do dia a dia — como tomar café, ler a Bíblia e assistir a documentários — e acredita que viver dessa forma o prepara para o que virá, inclusive o encontro com o divino.

Reginaldo: Eu penso o seguinte é viver a maneira que eu estou vivendo. Me acordar de manhãzinha, tomar meu cafezinho simples, depois ler a palavra, chegar em casa, tomar banho, tal. Ficar assistindo documentário, gosto muito, sabe. Às vezes eu estou com minha esposa, às vezes ela está no quarto, eu vou dormir novamente. Isso vai ser até vem timbora. Aí vai ser um caso, encontro com ele, aí a gente vai saber o que é que ele vai falar pra gente, né.

 

Rosimeri percebe o futuro como um tempo de limitações. Evita sair de casa e não projeta novos planos. Sente que sua vida mudou drasticamente após o transplante e aceita essa nova realidade com certa resignação.

[Entrevistador: Entendi. E me conta um pouquinho como é que tá a tua vida hoje?]

Rosimeri: A minha vida hoje tá normal.

[Entrevistador: Normal?]

Rosimeri: Tá, pra mim tá normal.

[...]

[Entrevistador: E sair pra se distrair?]

Rosimeri: Olha, só foi só duas vezes só que eu tive que ir no shopping comprar uma roupa. Só foi duas vezes mesmo que eu saí, mas foi rápido. Foi coisa rápida.

[...]

[Entrevistador: E como é que você imagina que sua vida vai ser daqui para frente?]

Rosimeri: Um estilo totalmente diferente, né?

[Entrevistador: Em que sentido?]

Rosimeri: No sentido que eu não posso mais fazer as coisas que eu podia fazer, né?

[Entrevistador: Um exemplo?

Rosimeri: Assim… Sabe, cuidar da casa, lavar o banheiro, essas coisas. Eu não vou mais fazer isso.

[...]

Rosimeri: A nossa vida fica diferente, né?

[Entrevistador: Uhum.]

Rosimeri: A gente não come mais as coisas que podia. Só uma comida assim, né? Aquelas coisas simples, né? Mas coisa pesada... Não posso mais pegar peso, não faço nada.

[...]

[Entrevistador: E, além disso, alguma outra coisa, assim, você imagina que vai acontecer na sua vida? Tem algum plano que você tem? Algum desejo?]

Rosimeri: Não, doutor, tenho não.

 

Silvânio enxerga o futuro como sinônimo de saúde. Para ele, mais importante do que posses materiais é manter-se vivo e bem para estar com a família. Valoriza profundamente a relação com os médicos e acredita que viver mais é seu principal objetivo.

Silvânio: O futuro é a saúde. Se eu lhe procuro, o senhor é meu médico, e o senhor me ajuda. Oi, eu vou lhe ajudar. Você, vou fazer esse tratamento em você. Você vai melhorar. Então eu acho que o meu futuro é esse. O meu futuro não é eu arrumar uma riqueza, não é eu ter um carro, não é eu ter um apartamento. O meu futuro é uma saúde. [...] Eu tenho, eu tenho minha família, minha família e meus filhos, né? Então, o que eu penso de ter? Viver mais? Porque eu tenho minha família, meu futuro é isso, que a gente sabe que tem a família. Então é o futuro da gente, né?